LOCALIZAÇÃO
Porto, Portugal
Ano
2024
ÁREA DE CONSTRUÇÃO
560 m2
ÁREA DO TERRENO
990 m2
Cliente
Particular
Fotógrafo
João Morgado
CASA FONTE DA MOURA
A Casa Fonte da Moura resulta da convergência entre uma visão claramente definida pelos clientes e o processo de desenvolvimento do projeto pela nossa equipa. Desde o primeiro momento, o desafio consistiu em transformar uma ideia numa habitação que alia funcionalidade, conforto e identidade. Mais do que responder a um programa, o projeto procurou materializar uma forma de habitar, onde a arquitetura assume o papel de mediadora entre a vida quotidiana, a paisagem e a cidade, traduzindo os desejos dos seus habitantes numa linguagem serena, intemporal e profundamente enraizada no seu estilo de vida.
Implantada num terreno nas imediações da Avenida da Boavista, uma das principais artérias da cidade do Porto, a habitação concilia a proximidade da vida urbana com a serenidade do ambiente familiar. Apesar da sua localização urbana, o lote não beneficia de vistas privilegiadas, circunstância que orientou o projeto para uma vivência introspetiva, onde a casa se desenvolve sobre si própria e estabelece a sua principal relação com os espaços exteriores privados, em vez de procurar expandir-se para a paisagem envolvente. A dimensão e a configuração do lote permitiram uma implantação livre, esta foi pensada para minimizar o impacto da construção na envolvente, integrando o edifício de forma discreta no contexto urbano e valorizando os espaços verdes existentes como elemento estruturante do conjunto. A arquitetura assume uma linguagem depurada, definida por geometrias simples e proporções rigorosas, cuja aparente simplicidade é enriquecida pela qualidade do desenho. A intenção foi criar uma arquitetura que se distinga pela qualidade dos seus detalhes e pela exigência construtiva, evitando gestos formais excessivos ou uma presença volumétrica dissonante em relação à envolvente. O estudo das aberturas, a profundidade dos vãos, a articulação entre cheios e vazios e a forma como a luz natural percorre os espaços ao longo do dia conferem dinamismo ao volume, transformando continuamente a perceção da casa.
A organização espacial traduz uma clara hierarquia entre as áreas sociais e privadas. O piso térreo concentra os espaços de convívio, concebidos como áreas amplas, fluidas e permeáveis ao jardim, favorecendo a continuidade entre os diferentes ambientes. Já o piso superior acolhe a esfera privada da habitação, onde os quartos beneficiam de maior privacidade sem perder a relação com a envolvente exterior. O programa foi desenvolvido para responder ao modo de vida da família, incorporando um conjunto de espaços complementares que enriquecem a experiência quotidiana, como um ginásio, um espaço de meditação e diversos recantos de jardim. A criação de um amplo jardim constituiu uma prioridade desde o início do projeto, proporcionando um espaço generoso para os animais de estimação e para o usufruto da família, assumindo-se como o verdadeiro centro das vivências familiares. A vegetação de grande porte já existente no terreno constituiu igualmente um elemento fundamental na conceção do projeto, procurando-se preservar as árvores existentes e integrá-las na nova composição do jardim, valorizando a sua presença e o carácter consolidado do espaço exterior. Entre o pátio e o jardim foi introduzido um espelho de água que estabelece uma transição subtil entre ambos os espaços, contribuindo para refrescar naturalmente o ambiente e reforçando a dimensão sensorial do percurso exterior.
A materialidade constitui um dos elementos estruturantes da identidade do projeto. A combinação entre pedra natural, madeira e ferro estabelece um diálogo equilibrado entre robustez e delicadeza, permanência e detalhe. Parte da pedra utilizada foi recuperada de uma pré-existência no terreno, sendo reinterpretada sob a forma de elementos em granito que conferem continuidade à memória do lugar e reforçam o carácter sóbrio e intemporal da habitação. As diferentes texturas e tonalidades enriquecem a leitura do edifício, enquanto a contenção cromática permite que a luz assuma um papel determinante na definição dos ambientes. O resultado é uma arquitetura sóbria, intemporal e profundamente ligada à experiência sensorial do espaço.