Habitação Unifamiliar

CASA QUINTA
MARQUES GOMES

LOCALIZAÇÃO

V. N. Gaia, Portugal

Ano

2025

ÁREA DE CONSTRUÇÃO

516 m2

ÁREA DO TERRENO

1.636 m2

Cliente

Particular

Fotógrafo

João Morgado

CASA QUINTA
MARQUES GOMES

A Casa Quinta Marques Gomes nasce do desejo de um casal residente em Londres de regressar a Portugal e construir a casa onde pudesse criar a sua família. Partindo dessa premissa, o projeto procura responder às necessidades dos seus habitantes, valorizando as características naturais do terreno. Este está localizado numa zona privilegiada de Vila Nova de Gaia, com vista sobre a foz do rio Douro. Perante o acentuado declive, a implantação respeita a morfologia existente, minimizando a movimentação de terras e permitindo que a volumetria acompanhe a encosta, integrando-se de forma natural e harmoniosa na paisagem. A conceção do projeto foi particularmente desafiante devido à complexidade do terreno e às diversas restrições impostas pelo loteamento e pelo condomínio. Contudo, estas condicionantes acabaram por constituir uma oportunidade para desenvolver soluções arquitetónicas que enriqueceram o resultado final, reforçando a identidade da habitação.

A composição volumétrica caracteriza-se por uma linguagem contemporânea de linhas puras e geometrias simples. Contudo, esta aparente sobriedade é enriquecida pelos recortes que rasgam as fachadas, conferindo profundidade, ritmo e dinamismo ao conjunto. Estes vazios não assumem apenas um papel formal, funcionam como elementos fundamentais na entrada de luz natural, criando pátios e espaços de transição que estabelecem uma relação constante entre o interior e o exterior. Da rua, a habitação apresenta uma imagem discreta, transmitindo a perceção de um único piso. No entanto, à medida que o percurso se desenvolve, a arquitetura revela gradualmente os diferentes níveis que acompanham a topografia, proporcionando uma experiência espacial dinâmica.

A habitação desenvolve-se em três níveis organizados por patamares, acompanhando a inclinação natural do terreno e distribuindo as diferentes funções de forma clara e intuitiva.

Os espaços foram orientados para beneficiar das vistas sobre o rio Douro, assumindo a paisagem como o elemento central do projeto. Quando um terreno possui uma relação visual tão privilegiada com a envolvente, o papel da arquitetura passa por potenciar essa qualidade, permitindo que a habitação viva em permanente diálogo com a paisagem.

O piso superior acolhe a área mais privada da casa, onde se localizam as suítes, separadas da zona das garagens por um amplo hall de entrada que funciona como elemento de transição entre a esfera social e a privada da habitação.

No piso intermédio encontra-se o núcleo social da casa. A sala de estar e de jantar, a cozinha, a sala de jogos e um escritório (concebido para poder ser convertido em quarto de hóspedes, sempre que necessário), organizam-se em espaços amplos e luminosos, pensados para promover a convivência e o quotidiano familiar, sempre em estreita ligação com os espaços exteriores.

Já no piso inferior, este concentra as áreas técnicas e de bem-estar, integrando os espaços de apoio à habitação, as instalações técnicas da piscina, o ginásio e a sauna. No exterior, um jacuzzi implantado sob o plano da piscina, que prolonga a experiência de contemplação sob a paisagem.

Ao nível da materialidade, o projeto procura equilibrar conforto, autenticidade e intemporalidade através da combinação da madeira, pedra natural e elementos metálicos. No interior, a madeira cria uma atmosfera acolhedora, enquanto no exterior a pedra estabelece uma relação de continuidade com a envolvente, complementada pelas pérgulas ripadas que criam jogos de luz e sombra. A seleção dos materiais foi inspirada nas tonalidades da areia e da paisagem envolvente, privilegiando uma paleta de cores claras onde o travertino assume um papel de destaque. A madeira, a pedra Valinhos e o aço corten complementam esta composição material, introduzindo diferentes texturas e níveis de rugosidade que enriquecem a experiência sensorial da habitação e estimulam o tato.

O projeto de arquitetura paisagista desempenhou igualmente um papel determinante desde as fases iniciais do desenvolvimento da proposta, sendo concebido em estreita articulação com a arquitetura. As floreiras, os jardins e os diferentes espaços exteriores não surgem como elementos complementares, mas como parte integrante da habitação, promovendo uma fusão natural entre a construção e a paisagem e reforçando o enquadramento da casa na envolvente.

Mais do que uma habitação, este projeto pretende criar uma experiência arquitetónica onde a luz, a matéria e a paisagem se relacionam de forma harmoniosa, respondendo às necessidades de quem o habita.